quinta-feira, 6 de abril de 2017

Vocação pastoral - um testemunho



Em 1998 com apenas 10 anos de idade um pastor com idade para ser meu pai vira em um culto de acampamento e me diz: “Você nasceu para pastorear as ovelhas de Cristo”, o que significou essas palavras para uma criança? Simplesmente nada. 

Vivi a vida, joguei bola com os amigos, tentei arranjar umas namoradas que não me deram atenção, continuei meus estudos, entrei para uma faculdade, me formei, me casei, e de forma natural Cristo em determinado momento da minha história começa a aquecer meu coração para a vocação pastoral.

O que quero falar com isso? Quando Deus tem algo para nós ele certamente vai realizar. No ano de 2012/2013 iniciei junto com um grupo de outros cristãos a plantação de uma igreja evangélica de cunho teológico calvinista [Atos de Vida]. Mais uma vez Deus fez as coisas de modo natural e fiquei de 03 a 04 anos como pastor – plantador dessa igreja.

Em 2013 ingressei no Seminário Martin Bucer sendo ali o local onde o conhecimento foi inicialmente adquirido - e como Deus sempre é bondoso, o seminário concilia erudição e espiritualidade autêntica - foram 03 anos e meio de estudos, dedicação e muitas vezes vontade de desistir [graças a Deus pela Esposa que ele me deu, fui profundamente encorajado a continuar].

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Na teologia meu chamado foi se tornando cada vez mais real em minha vida e as pessoas ao meu redor me animavam a prosseguir. Em setembro de 2016, a igreja da qual eu participava como plantador foi dissolvida, entendemos como tempo e direção de Deus, e o mais belo é que aprendemos que a vocação pastoral não é restrita, somos chamados por Deus para o seu Reino, e não um reino particular.

Voltando um pouco no tempo, antes de organizarmos o grupo caseiro em uma igreja institucional com todas as nuances burocráticas fiz uma reunião com todos os irmãos. E de forma unânime todos me reconheceram como pastor, isso é muito importante tanto para o vocacionado como para aqueles que de alguma forma serão guiados pelo pastor.

Poderia aqui falar sobre os inúmeros aprendizados nesses anos de plantação de uma igreja, os desafios coletivos e os particulares, erros e acertos. Contudo, a minha maior intenção neste texto é lhe lembrar que o que ele promete ele cumpre, Abraão e José nos testificam isso. Naquele ano, 1998, eu era uma criança, hoje sou um homem entendedor do chamado e sabedor que no tempo oportuno dele as coisas vão se tornando real.

Desde setembro do ano de 2016 eu tenho vivido um novo e gracioso tempo na minha vida em todos os sentidos, familiar, espiritual, vocacional, financeiro e dos estudos teológicos. Meu desejo é que você ao ler esse pequeno testemunho tenha uma coisa em mente, Deus cuida dos seus e ele sabe o que é melhor e o melhor tempo para todas as coisas em nossas vidas.

Prossiga firme,

Deus te abençoe!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Seguidores de Cristo, seguidores da bíblia.




            Somos seguidores de Cristo ou da Bíblia? Pergunta que recentemente gerou algumas divergências dentro do meio protestante nas redes sociais. Alguns diziam que seguimos Jesus Cristo e não as escrituras, outros afirmavam que somos seguidores de Jesus e da Bíblia.

            Antes de qualquer debate, a Bíblia é a palavra de Deus, santa, inspirada, infalível e suficiente, e não apenas um conjunto de livros que contém a palavra de Deus. O perigo de se pensar na bíblia como contendo a palavra de Deus é justamente o relativismo das escrituras. 

            Se a bíblia apenas contém a palavra de Deus, então o grande dilema vai girar em torno de quem tem autoridade para definir o que será ou não a palavra de Deus, esse é o grande perigo do relativismo, usarmos métodos e formas humanas para definir aquilo que é revelação e o que não é.

            A história do cristianismo nos ensina que na formação do cânon bíblico foram os próprios escritos que demonstraram ser palavra de Deus, e os aspectos que conferiram segurança na inclusão dos livros no cânon, dentre vários eram: ser apostólico, historicidade e harmonia entre os livros ou constância interna. Dentro dessa perspectiva da história temos também a Sola Scriptura da reforma protestante.

            “Somente a escritura” foi justamente a luta dos reformadores em resgatar a Bíblia como a palavra de Deus, em tê-la como centralidade da fé e do culto, lutando assim contra os abusos e desmandos que aconteciam no período pré-reforma por parte da Igreja Católica.

            Falar da bíblia como um livro que não precisa ser seguido é ser desonesto com a história da própria fé que se afirma professar. Afirmar ser seguidor de Cristo e desprezar o livro pela qual o filho unigênito se revelou é uma afronta a todo o processo soberano de Deus em manter essas palavras registradas e fieis até os nossos dias.

            Um dos argumentos bastante utilizados pelos defensores de que não somos seguidores da bíblia e sim apenas de Cristo está na tentativa de fazer do Antigo Testamento um conjunto de livros e palavras obsoletas. Contudo, o que eles não conseguem entender é que o Antigo Testamento é a palavra de Deus, escrito por homens escolhidos e inspirados por Deus. Com isso, afirmar que o Antigo Testamento é obsoleto, ultrapassado e sem valor para hoje é não entender as palavras do próprio Cristo: 

“Não pensem que vim abolir a lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade; enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra”. (Mateus 5:17-18). 

            O próprio Jesus afirma que a Lei e os profetas, o Antigo Testamento, não foram por ele abolidos, logo, não se tornaram obsoletos ou retrógados, antes, continuam sendo sua palavra, santa, infalível, inspirada e suficiente. Você pode perguntar: “André, você segue o Antigo Testamento todo?”. Eu respondo: “Não!”

            No ensino reformado, temos uma expressão que diz: “A escritura explica a própria escritura”, ou seja, a Bíblia ensina que não precisamos mais seguir as leis cerimoniais, pois Jesus foi o sacrifício definitivo, e nem as leis de cunho civil por não sermos judeus. Contudo, a lei moral vigora até os dias atuais. 

            Afirmar que segue Cristo e não a Bíblia é demonstração de tolice.
            Outro questionamento levantado para afirmar que não seguimos a bíblia é que ela não salva, e sim Cristo. Isso é uma verdade, contudo, o fato de a Bíblia não salvar não deve ser argumento para não ser seguida. Sabemos que a fé em Jesus Cristo é o que nos salva. De onde vem essa fé?

            “Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo”. (Romanos 10.17)

            A bíblia não nos salva, a fé em Jesus Cristo sim, e por meio dele recebemos graciosamente a vida eterna, porém, não seguir a Bíblia é agir de forma contrária à forma ordinária estabelecida por Deus para salvação dos seus eleitos. 

            É possível conhecer a bíblia e não conhecer Jesus Cristo? Sim, é possível saber sobre as escrituras e mesmo assim não ser um seguidor de Jesus. E a própria palavra traz exemplos como o de Saulo de Tarso, um conhecedor da letra da lei e que perseguia Jesus por ser perseguidor da igreja. Porém, isso não deve ser base para não seguir a bíblia. 

            Saulo, ao encontrar Cristo, tornar-se Paulo, e em certo momento de sua história apostólica, preso por causa do evangelho, diz: “Quando vieres, traz-me a capa que deixei em Trôade, na casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos”. (2 Timóteo 4.13)


          Paulo, após seguir a Cristo torna-se seguidor dos pergaminhos e não apenas seguidor e conhecedor dos escritos, ele foi escolhido por Deus para ser um dos maiores escritores do Novo Testamento, isso nos mostra que andar com Cristo é ter um enorme apreço e paixão pelas palavras sagradas.

            Em João 5.39-40, o apostolo nos afirma: “Vocês estudam cuidadosamente as escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida eterna”. 

            Paulo, quando Saulo, era um desses de quem João fala em seu evangelho, porém, temos que lembrar que seguir a Bíblia e não seguir Jesus é possível, mas o contrário não; é impossível ser um seguidor de Jesus e não das suas palavras. Nessa vertente, temos que ter em mente a diferença entre ler as escrituras ou segui-la por iluminação do Espirito Santo e por esforço da cognição humana. 

            A iluminação é o ato do Espirito Santo clareando nossa mente para o correto entendimento das sagradas escrituras, porém o Espírito Santo ilumina apenas aos eleitos de Deus. 

            A cognição humana é o ato de tentar entender as palavras santas pelo esforço natural, por isso é possível conhecer e tentar seguir a Bíblia sem a iluminação, mas quando iluminados é impossível não seguir a palavra de Deus. 

            Seguir a Cristo necessariamente é seguir e praticar as sagradas escrituras, vejamos: “Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um homem que comtempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era”. (Tiago 1:23-24)

            “Não preciso da Bíblia, a criação por si me revela Cristo”. A confissão de Fé de Westminster em seu capitulo primeiro afirma:

            “Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, todavia não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade, necessário à salvação”.

            O conhecimento sobre a pessoa de Cristo nos leva a nele depositar fé e assim receber gratuitamente salvação, então de alguma forma o conhecimento da pessoa de Cristo está presente no processo salvifico. Por isso Paulo escreve: “Porque, se com a tua boca confessares Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. (Romanos 10.9) 

            Crer é o ato de depositar fé e confiança em algo, por isso, é necessário o conhecimento de Deus e da sua vontade, e tudo isso é conhecido e encontrado nas palavras sagradas. 

            A fala que a criação revela Cristo é um debate existente na teologia conhecido como teologia natural, contudo, o que nos basta saber é que a criação revela a glória de Cristo, mas é a Bíblia que revela as profundidades da pessoa e obra redentiva de Jesus.

            Os que relativizam as escrituras como algo que não seguimos são aqueles que olham para a lei de Deus e a veem como algo criado por causa do pecado, ou seja, o homem pecou então Deus estabeleceu uma lei, como se o pecado adâmico e a queda da raça humana fosse algo fora do seu conhecimento soberano. 

            A lei de Deus existe desde o jardim do Éden, Deus por ser relacional descia ao jardim para encontrar Adão e Eva e com eles estabeleceu uma lei, mesmo que oral. Deus se revela a Abraão e lhe dá uma lei: “Sai da tua terra”, ao se revelar a Moisés na sarça e ao ordenar “Vá até Faraó”, estabelece uma lei. Esses exemplos mostram que a Lei de Deus é a sua vontade, e nesses casos foram dadas de maneira oral e não escrita. 

“Costuma-se partir do princípio de que a revelação especial é um fenômeno pós-queda necessário, por causa da condição do pecado da humanidade. Ela é muitas vezes considerada um remédio. O relato de Deus à procura de Adão e Eva no jardim depois da queda (Gn 3.8-9) dá a impressão de que este era mais um encontro de uma série de encontros especiais. Ademais, as instruções que os seres humanos receberam (Gn 1.28) a respeito de seu papel e suas atividades entre criador e criatura. Se este é o caso, a revelação especial é anterior à Queda. Quando o pecado entrou na humanidade, porém, a necessidade de uma revelação especial tornou-se mais premente”. (Millard J. Erickson)

            A lei de Deus não foi estabelecida por causa do pecado, ela existe desde muito antes da queda, ainda nessa perspectiva e segundo a confissão de Fé de Westminster: “Deus deu a Adão uma lei, como um pacto de obras. Por esse pacto Deus o obrigou, bem como toda a sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua”.  

            O relativismo das escrituras como algo que deve ser seguido é sutil e travestido de piedade, afinal, seguir a Jesus que é maior que a Bíblia soa aos leigos como uma fala cristocêntrica. 

            Os relativistas utilizam a chamada Cristologia como uma chave hermenêutica, ou seja, eles usam o Jesus histórico como a chave para a interpretação das escrituras. Porém, essa hermenêutica cristológica falha quando não se leva em consideração que o Jesus homem também era Deus. Afirmar que Cristo não seguiu a lei com base na quebra do sábado, partindo do pressuposto cristológico do Jesus meramente histórico, é falhar na hermenêutica da bíblia como um todo. 

            Como pode Jesus não seguir a lei por curar no sábado, e o mesmo Jesus dentro do templo citar o profeta Isaias como narra Lucas em seu evangelho? “Ele ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para fazer a leitura. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías; ele o abriu e achou o lugar em que estava escrito”. (Lucas 4.15-17).

Seguir a Cristo é seguir a bíblia, amar a Cristo é amar suas palavras que dão vida eterna, conhecer a Cristo é conhecer as sagradas escrituras, uma vida dedicada a Cristo é uma vida dedicada aos estudos da Bíblia Sagrada. 

            Seguir a Cristo é seguir a Bíblia, afinal “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna”. 


domingo, 12 de fevereiro de 2017

O perigo da relativização

O ser humano é extremado por natureza. Toda vez que você for social, profissional ou religiosamente decepcionado, frustrado ou até usado, você vai migrar para o outro extremo dessas relações de forma imediata. Essa reação natural nem sempre é a melhor opção e muitas vezes tal escolha é realizada de forma inconsciente, e assim suas relações serão polarizadas.

Quando você for decepcionado por um amigo, chefe de trabalho ou líder religioso, automaticamente migrará para o extremo em que nenhum amigo será confiável, qualquer chefe de trabalho será antipático, ou todo líder religioso um abusador autoritário. O perigo reside justamente em relativizar aspectos da vida que não podem ser relativizados. 

A relativização de determinados valores ou princípios te levará a cometer erros gravíssimos. Sendo assim, convido você a uma reflexão sincera sobre possíveis valores que devido às frustrações você pode estar relativizando.

Por exemplo, quando você vive uma espiritualidade pautada no sensorial e em algum momento essa vivência sensitiva não supre as necessidades da vida espiritual, provavelmente você irá caminhar para o extremo da racionalidade tentando de todas as formas anular o envolvimento das suas emoções na espiritualidade. 

A relativização é a consequência da desistência em continuar acreditando. Se você foi usado por um amigo, continue acreditando que existem amigos fiéis, se você foi decepcionado por um pastor que usava da fé para ter sua admiração e por isso tirar seu dinheiro, acredite que existem vários pastores fiéis que o amam pelo o que você é e não pelo seu dizimo. Se você foi frustrado por qualquer coisa que seja, não desanime e nem relativize todas as coisas, não se canse de fazer o bem, persevere!

Na igreja é muito comum pessoas ao serem vítimas de "pastores" e ao mudarem de igreja serem radicais com aquilo que foi sua frustração. Por exemplo, se na igreja "x" tudo era sobre dinheiro, na igreja "y" ela não dará 1 centavo, o que é isso? Relativização de um valor bíblico fruto de uma frustração. 

Se na igreja "a" ela servia com dedicação e empenho e no processo da vida eclesiástica algo lhe decepciona a tendência dessa pessoa ou será o extremo de não ir mais a igreja, ou será de ir para a igreja "b" como uma mera consumista que vai aos domingos e não se envolve, o que é isso? Relativização de um valor bíblico, a diaconia, o serviço. 

Devemos sempre olhar para a Cruz e para Cristo, ele não se cansou de fazer o bem, não desistiu, antes, perseverou, ele foi abandonado por seus discípulos e na cruz recebeu a ira Santa e Justa de Deus. Na cruz do calvário, o Cristo de Deus foi esmagado pelos pecados daqueles que não mereciam, e este é o segredo para você não relativizar valores e princípios da fé e da vida, basta olhar para o autor e consumador de todas as coisas. 

 "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos". (Gálatas 6:9) 

Deus te abençoe!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aprenda a ouvir 

  Um dos grandes problemas que você enfrenta em sua caminhada cristã é fruto do não ouvir os mais maduros na fé. Você sempre tem a tendência pecaminosa de achar que sabe mais ou que é melhor que os outros, é justamente por isso que a Fé em Jesus Cristo alicerça-se na humildade.

 "Não dei atenção aos que me ensinavam, nem inclinei o ouvido aos que me instruíam. Quase cheguei à ruína completa, diante da congregação e da assembleia”. (Provérbios 5:13-14). É interessante notar que o contexto desses versos fala sobre uma advertência contra a mulher imoral, conquanto, não te impede de aplicar para as várias áreas de sua vida. Você cai, erra, peca e muito desses eventos poderiam ser evitados se você apenas inclinasse seu coração para ouvir as repreensões ou ensinos dos mais experientes que você no evangelho.

  O escritor de Hebreus fala algo semelhante: “...antes, exortai uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama hoje, para que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”. (Hebreus 3:13). A dinâmica da caminhada com Jesus sempre será em ouvir e ser ouvido, no reino de Cristo se caminha pelas estradas do relacionamento e a fé que é comunitária te livra muitas vezes daquilo que sozinho para você é imperceptível ou inofensivo.

  A bíblia é repleta de histórias onde muitos dos personagens livraram-se de ciladas pelo fato de ouvir alguém. Pensamos até aqui na forma preventiva do pecado por meio do auxilio do próximo, mas você deve ouvir e estar atento ás palavras de ensino dos mestres quando o pecado foi consumado. Não existe cura do pecado quando não há confissão ao próximo – cuidado digo cura e não perdão.

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 “Portanto, confessai vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados. A súplica de um justo é muito eficaz”. (Tiago 5:16). Talvez você não deu atenção ao ensino/exortação e com isso está em ruínas, não desista, o perdão em Jesus é oferecido, e a igreja como corpo de Jesus é o local de restauração, lugar onde confessamos nossos erros e assim somos curados e restabelecidos em nossa espiritualidade.

Em tempos de grande religiosidade e condenação, existem os remanescentes, aqueles que com a graça comunicada por Cristo ama não condenar o pecador arrependido, antes, deseja vê-lo restaurado amando a Cristo e integrado no seio da igreja mística de Jesus. Os pecadores arrependidos que ajudam outros pecadores arrependidos são aqueles que alcançados pela graça sabem da sua miserabilidade e do poder santificador do sangue de Jesus Cristo.
  
 Aprender ouvir é fundamental para sua vida com Jesus, foi por ter inclinado seus ouvidos e coração ao profeta Natã e ter se arrependido que Davi o rei de Israel, um pecador arrependido, tornou-se o homem segundo o coração de Deus. Ele entendeu o poder do ouvir.

  Aprenda a ouvir !

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A plantação de igrejas missionais - Trabalho de conclusão de curso.


4. O PERFIL DO PLANTADOR

4.1 A maturidade do plantador 

 Ao falar em plantação de igrejas é necessário falar também da figura pastoral, aquele a
quem o Senhor Jesus impele no coração um profundo comprometimento com o reino e a sua
expansão por meio do plantio de igrejas missionais.

Nossa geração pastoral tem vivido há muito tempo uma crise de identidade, a qual
Darrin Patrick (2013) chama de Homeninos: aqueles que são bons em vender uma imagem de
homens maduros, mas quando na realidade não passam de crianças, que desejam os benefícios
da vida adulta, mas não desejam arcar com o ônus da responsabilidade que essa vida exige.

Patrick (2013, p.15) esclarece que: “Ser uma pessoa do sexo masculino está ligado à
biologia, mas ser homem está ligado a como ele se relaciona com Deus, pensa sobre Ele e o
serve”.

Essa crise de identidade se torna um problema quando o plantador da igreja se encaixa
nesse perfil, quando ao invés de homem, ele é um menino na carcaça de um adulto, quando é
um adulto com mente de adolescente. “Ser um menino adulto se tornou uma tendência
popular.” (PATRICK, 2013, p.13). Quando o adulto com mentalidade de adolescente se torna
uma tendência algo muito sério e perigoso pode acontecer na igreja, afinal esses homeninos
podem ser os pastores dessas igrejas.

Perigoso pelo fato de que na igreja o pastor-plantador deve zelar pela vida da sua
família e das ovelhas, e o grande questionamento de Darrin Patrick reside justamente na
capacidade do homenino de cuidar dos outros quando ele não é capaz de cuidar de si mesmo e
de sua família.  

No contexto pós-moderno brasileiro a plantação de igrejas tem surgido no cenário
evangélico em números crescentes, e isso é glorioso; contudo, deve ser feito com cautela e
maturidade, ou seja, é tarefa para homens e não meninos. Ora, a igreja é algo sério, trata-se
daqueles por quem o nosso Senhor Jesus deu a vida.

                                 

4.2 O conhecimento teológico do plantador 

Outra grande crise que os plantadores dos nossos dias vivem é a falta de conhecimento
teológico, homens sentem no coração o desejo de pastorear um grupo, plantar uma
comunidade de fé, mas não se preocupam em se preparar para isso.

Sobre essa falta de qualificação Patrick (2013, p.55) ilustra as seguintes situações:

Ninguém embarcaria em um avião se soubesse que o piloto adora aviões, mas não tem brevê. Ninguém gostaria de ser operado por um cirurgião cuja principal credencial fosse o fato de ter um pai médico. Um jovem casal não confiaria o projeto de sua casa dos sonhos a um arquiteto cujo portfólio fosse a parte de trás de uma caixa de lego. As qualificações são importantes em todo trabalho, e quanto mais importante é o trabalho, mais importante é a necessidade de qualificações elevadas.

Sabemos que a vocação é algo inerente e exclusivo da parte de Deus, contudo, sabemos
também que Deus usa como instrumento os centros de estudos teológicos como forma de
moldar, lapidar e preparar intelectualmente tais pastores-plantadores para a missão.

A consequência disso é o que vemos: uma porção de igrejas sendo plantadas sem uma
identidade teológica enraizada nas escrituras, fundamentadas apenas em modismos e
paradigmas.

O pastor como a figura que ensina, exorta, aconselha, guia, direciona e consola, deve
necessariamente ser como o próprio apóstolo Paulo instruiu: apto ao ensino; contudo, este
ensino deve ser o apostólico, o ensino doutrinário genuíno das sagradas escrituras, aqueles
que nos foram legados pelos apóstolos bíblicos e pais da igreja.

Tem sobrado em nosso contexto homeninos com pouco conhecimento teológico e
faltado homens de verdade com sede e fome do conhecimento teológico que produz o
encontro com a maravilhosa graça, a saber, Jesus Cristo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A plantação de igrejas missionais - Trabalho de conclusão de curso.





3. A CONTEXTUALIZAÇÃO PAULINA NA PLANTAÇÃO DE IGREJAS

Após passar por Tessalônica e Bereia, chegando a Atenas Paulo ficou profundamente indignado ao ver como a cidade era cheia de ídolos, dessa maneira ele passa a debater com os judeus e gregos nas sinagogas. (ATOS 17:16-17, ALMEIDA SÉCULO 21).

O texto de Atos 17:18, nos relata que chegaram para debater com Paulo alguns filósofos epicureus e estoicos. Os epicureus eram filósofos que pregavam de forma bem direta o prazer como bem supremo, e que todo sofrimento e dor deveriam ser afastados ao máximo possível da vida. Os estoicos por sua vez pregavam que as pessoas são partes de uma razão universal e que eram guiadas por leis da natureza, ou seja, viviam apenas o agora não crendo no mundo por vir, na vida eterna. (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, 2010, p. 337).

Paulo foi confrontado por esses grupos de filósofos, e sabia que para pregar-lhes o evangelho de Cristo deveria contextualizar sua mensagem de forma que os levassem a entender e compreender a mensagem pregada.

Para isso ele usaria elementos do próprio contexto daquele povo, os gregos, com cuidado para não diluir a mensagem da cruz. Então ele usa o altar do Deus desconhecido que os próprios gregos adoravam.

Nessa ocasião, Paulo pregava na sinagoga, então o tomaram e o levaram ao Areópago. Ao entrar no areópago, que era uma espécie de tribunal de julgamento, mas que por vezes era usado como um local para debates filosóficos, Paulo afirma: “Homens atenienses, em tudo vejo que sois excepcionalmente religiosos” (ATOS 17:22, ALMEIDA SÉCULO 21). Então, ele pega elementos religiosos da cultura do povo para iniciar seu discurso acerca do evangelho, ganhando assim a atenção dos seus ouvintes. “Porque, ao passar e observar os objetos de vosso culto encontrei também um altar em que estava escrito: Ao Deus desconhecido. É exatamente este que honrais sem conhecer que eu vos anuncio.” (ATOS 17:23, ALMEIDA SÉCULO 21).

Neste momento Paulo aplica corretamente a contextualização, reconhece a característica da religiosidade cultural e aproveita o elemento do altar do Deus desconhecido presente naquela cultura para introduzir a verdade do evangelho. Paulo pega elementos da cultura grega como porta de entrada para anunciar Jesus, sem comprometer a mensagem de Cristo.

Paulo estava fazendo uma contextualização genuína, ele havia entendido os clamores daquela sociedade; existia um Deus que não era conhecido e que eles eram religiosos, a partir dessa leitura, Paulo começa a pregar o evangelho como resposta aos anseios daquele povo.

O altar desconhecido foi o elemento chave do contexto grego que Paulo usou para proclamar o Deus criador de todas as coisas, o altar desconhecido na verdade era um altar erigido para algum deus que por acaso eles tenham esquecido, veja que Paulo não atacou dizendo que todos os deuses que eles adoravam eram supostamente falsos deuses, se tivesse agido assim ele não teria atenção do público. (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, 2010, p. 336).

Paulo não se preocupa inicialmente em atacar a crença dos gregos, mas seu alvo principal era proclamar a verdade, afinal, ele melhor que ninguém sabia que, como ensina João Calvino, “a verdade é o único antidoto capaz de combater as mentiras dos ventos de doutrinas”.

Ele faz a apresentação do evangelho de Jesus Cristo; apresenta Deus como o criador do mundo e de tudo que nele há, começa a instigar a fé dos gregos ao afirmar que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas e que esse Deus não é servido por mãos humanas. (ATOS 17:24-25, ALMEIDA SÉCULO 21).

O apóstolo fala ainda de Deus como o criador de toda raça humana, que essa raça humana criada por Deus passou a existir para ter um relacionamento com seu criador, o que de certa forma ia contra as crenças gregas e os pensamentos filosóficos das leis da natureza.

Paulo usa citação de Epiménides como forma de contextualização, prega contra imagens e adoração a elas quando afirma que somos imagem e semelhança do Deus criador. (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, 2010, p. 336).

Ao pregar a doutrina da ressureição ele foi interrompido, afinal, era o auge da pregação de Paulo, mas também do confronto com as crenças e correntes filosóficas gregas: “Os gregos repudiavam a ideia de uma ressureição física. Embora acreditassem no conceito de que a alma vive para sempre, eles negavam a ideia de uma ressureição física porque consideravam o corpo maligno, algo a ser descartado”. (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, 2010, p. 336-337).

Este trecho do livro de Atos é um exemplo de contextualização do evangelho na cultura grega, Paulo em sua teologia contextualizava a forma de comunicar, mas nunca negociava a essência da mensagem da cruz.

Vejamos alguns outros exemplos: “Em Atos 13:13-43, Paulo fala em Antioquia para crentes, em Atos 14:6-16 o apóstolo fala para uma multidão de camponeses politeístas, pessoa incultas; Em Atos 17:16-34, Paulo fala para filósofos, pessoas instruídas e bem intelectuais, em Atos 20:16-38 ele prega em Mileto para líderes cristãos, em Atos 21.27- 22.22, Ele prega para um grupo de Judeus hostis, em Atos 24 ao 26 fala para pessoas da mais alta corte governamental.” (KELLER, 2014, p. 134)

E se fizéssemos uma analise cirúrgica de cada um desses textos veríamos que Paulo em todos esses momentos de pregação do evangelho contextualizou a forma de comunicar a mensagem de acordo com o contexto local:

Com cada auditório, Paulo usa uma base diferente de autoridade. Diante dos cristãos ele citava as Escrituras e João Batista; diante dos pagãos, ele argumentava da perspectiva da revelação e grandeza da criação. O conteúdo bíblico de sua apresentação também varia, dependendo dos ouvintes. Paulo muda a ordem da apresentação das verdades, como também a ênfase que dá a vários aspectos da teologia. Com os judeus tementes a Deus, Paulo gasta pouco tempo na doutrina sobre Deus e vai direto a Cristo. Mas com os pagãos, ele centra a maior parte do tempo desenvolvendo o conceito de Deus. Com gregos e romanos, Paulo fala primeiro sobre a ressureição de Cristo – e não sobre a cruz. (KELLER, 2014, p.135).

Podemos perceber que a contextualização de Paulo não introduz elementos diferentes na mensagem, mas apenas usa a cultura e os elementos locais para transmitir a mensagem. Ele sempre usava a mensagem como base e o contexto como porta de entrada. Quando o apóstolo fala aos atenienses ele usa os elementos do culto pagão para aplicar a verdade bíblica, usa o altar e objetos do culto como porta de entrada para proclamar a Cristo, e usa o nome Deus desconhecido para falar do criador e autor de todas as coisas.

A contextualização bíblica e equilibrada é aquela que sempre será feita a partir das escrituras e usará os elementos culturais como forma de entrada para obter atenção do público alvo. Paulo obteve a atenção dos atenienses ao falar dos seus elementos culturais de culto, e depois de obtida a atenção o caminho para a pregação estava aberto, os corações estavam voltados para as palavras do apóstolo, e assim o nome de Cristo foi glorificado.

Ao comunicar o evangelho aos gregos ele teve sensibilidade para perceber os pontos de interesse do povo, e levou respostas para os filósofos. Ele fala sobre um Deus criador do cosmo, o autor do universo tema que é de grande interesse filosófico. Comunica aos gregos o Deus que não habita em templos criados por homens, ou seja, Paulo começa a debater acerca da transcendência do Deus ao qual ele estava proclamando como o Deus desconhecido deles. O apostolo em sua contextualização do evangelho falou que o Deus desconhecido era o Deus criador de toda a raça humana, algo que a filosofia debate, de onde viemos e qual é a origem da raça humana.

Após ter ganhado a atenção do seu público, Paulo começa a desconstruir os conceitos helênicos que eram contrários ao evangelho. Aqui fica claro que a contextualização jamais poderá diluir o evangelho ou abrir brechas para sincretismos. Aos gregos ele falou que o Deus desconhecido era um Deus imanente, ou seja, um Deus pessoal e relacional e não um Deus isolado como eles sempre pensavam. Paulo fala sobre homens como imagem de Deus, imago dei, comunicando aos gregos que imagens não representam o Deus desconhecido. (ATOS 17:26-29, ALMEIDA SÉCULO 21).

O que percebemos de precioso nisso? Uma teologia bíblica, centrada em Cristo e uma contextualização genuína que preserva a essência da mensagem. Os plantadores de igrejas missionais hoje devem aprender com a teologia paulina sobre o que vem a ser uma boa, genuína e bíblica contextualização do evangelho ao seu tempo, espaço e cultura, e o mais importante sem deixar de pregar o Cristo crucificado.