sábado, 5 de agosto de 2017

A liderança bíblica hoje



  Este texto é uma transcrição de um sermão ministrado em Julho de 2017 para um grupo de pastores, presbíteros e líderes de uma denominação em Brasília. Exposição feita com base no texto bíblico de 1 Pedro 5:1-4.

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 A sociedade é flexível, ou seja, de tempos em tempos a vida em conjunto muda. Antigamente a sociedade era em sua maioria ruralista, as mulheres acordavam e iam preparar a massa para fazer o pão enquanto os homens no curral retiravam o leite das vacas.

  Hoje, somos uma sociedade de maioria urbana, ou seja, acordamos ligamos uma maquina de café, pegamos o leite na geladeira, compramos o pão na padaria e vamos ao trabalho.

    O que isso tem haver com liderança eclesiástica? Tudo!

   Se você não consegue perceber a mudança da sociedade e consequentemente das pessoas que serão suas ovelhas você não vai conseguir lidera-las.

     Peguemos nosso melhor exemplo, Jesus Cristo, suas parábolas e seus ensinos, sempre era ligado ao contexto da sociedade da sua época. Ele liderava as pessoas da sua época e lhes falava de uma forma que elas entendiam.

I- Você não é superior

 Uma das grandes características que afastam as pessoas da igreja é o espirito de hierarquia. Devemos lembrar que a característica papal e clerical dentro da igreja é fruto da distorção teológica católica.

  O pastor e presbíteros não são em nada superiores aos membros da igreja; o que existe é apenas uma diferença de funções a serem realizadas dentro da igreja que é o corpo de Cristo. (Observe o verso 01)

  Outra questão muito importante, antes de pastor, presbítero ou um líder de algum ministério você é cristão. O oficio pastoral, presbiteral ou o cargo de liderança não pode definir sua identidade. Você está líder, mas a liderança não é sua identidade. (Quando o oficio ou o cargo define sua identidade, você não aceita que outra pessoa entre na liderança, ou lhe confronte).

  “Você é mais humilde e gentil quando pensa que a pessoa para quem você está ministrando é mais parecida com você do que diferente de você”. (Paul Tripp).

   Você líder, pastor ou presbítero é tão carente da graça quanto a sua ovelha ou seu liderado, na igreja de Jesus só tem uma cabeça superior a todos, aquele que se humilhou e se fez homem, Cristo.

  Seu conhecimento teológico não deve produzir sentimento de superioridade. O conhecimento teológico produz um falso pensar que somos mais maduros e sábios que o membro comum.

  “Maturidade não é meramente algo que você faz com sua mente. Não, maturidade tem a ver com o modo que você vive a sua vida. É possível ser um ótimo conhecedor da bíblia e necessitar de significativo crescimento espiritual”. (Paul Tripp).

II- “testemunha dos sofrimentos de Cristo”.

  A liderança de hoje não quer sofrer. Querem uma igreja pronta, não querem orar e como num passe de mágica desejam ver as pessoas entrando em suas igrejas, não querem gastar tempo ensinando, evangelizando, aconselhando, confrontando e consolando.

  O nosso modelo é o Cristo, servo sofredor. Se você é líder e não está disposto a sofrer pelo evangelho, não plante uma igreja, não seja um presbítero, não suba ao púlpito.

  A liderança eclesiástica é forjada no sofrimento. Paulo, veementemente instruiu 
Timóteo acerca do sofrimento, a liderança evangélica hoje se moldou ao tipo de chefia empresarial, apenas desejam sentar em seus gabinetes e darem ordens, isso não é a liderança bíblica.

  Observe o texto bíblico: “Testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que será revelada”. Muitos líderes querem apenas a segunda parte.

  Você pode sofrer pela causa do evangelho, ou por causa dos problemas que você como pastor e líder produz.

  Muitas igrejas não crescem porque não existe devoção na vida da liderança. Deus usa pessoas cheias do seu Espirito Santo. O pecado cega e muitas vezes a liderança torna-se cega para com seu pecado por causa do costume com o sagrado.

            *Não lê a bíblia como devocional e alimento para sua alma.
            *Lê a bíblia apenas para montar estudos e pregações.  
        *Não sente prazer e alegria em meditar na lei do Senhor, isso se tornou algo mecânico.

  Sem uma espiritualidade real, a liderança de uma igreja vai sofrer, mas não como testemunha de Cristo, e sim, devido à letargia espiritual. O sofrimento que Deus permite é instrumento para nos levar sempre a devoção.
             
III- “não por obrigação”.

  Obrigação está ligada a profissão e o serviço à devoção voluntária e amorosa. Todos vão trabalhar mesmo em dias que não desejam isso é obrigação. Sofremos pelo reino não porque queremos, mas porque amamos o chamado de Deus a nós.
          
  Não existe nada mais perigoso para uma liderança eclesiástica do que estar cumprindo a tarefa na igreja sem entusiasmo e espontaneidade. A obrigação profissionaliza a vocação pastoral e o chamado ao serviço no reino.
             
  Quando vivemos no reino por obrigação (religiosidade) perdemos a reverência a Deus. Perder a reverência a Deus reside em fazer as coisas por ‘obrigação’ e não por amor.
             
   “Você parou de observar e, em sua falha em ver, você deixou de ser motivado e agradecido. A beleza que uma vez o atraiu ainda está para ser vista, mas você não a vê e não pode celebrar o que não consegue ver”. (Paul Tripp).
    
    Isso é fruto do acostumar-se com o sagrado e acostumar-se com o sagrado é perder o gozo, alegria de estar na presença de Deus. Quando nos acostumamos com o sagrado, perdemos a reverência, pois, o sagrado deve sempre produzir temor em meu coração, deve sempre me lembrar da grandeza de Deus e da minha miserabilidade.

   Lideres que perdem a reverencia a Deus, passam a cumprir um ministério para si mesmo.

  Sem reverencia você não consegue cumprir seu ministério “espontaneamente, segundo a vontade de Deus”. Percebe? A liderança saudável cumpre seu papel de forma espontânea em amor e segundo a vontade de Deus, mas como fazer isso sem reverência, como realizar isso sem devoção?

“Reverência a Deus deve ser a razão para eu tratar a minha esposa do modo como trato e exercer minha paternidade com meus filhos da maneira como o faço. Ela deve ser a razão para eu atuar do jeito que atuo em meu trabalho ou para lidar com minhas finanças do modo como lido. Ela deve estruturar a forma como penso sobre a possessão física e pessoal de poder. A reverência a Deus deve moldar e motivar o meu relacionamento com minha família e meus vizinhos. A reverência a Deus deve dar a orientação quanto à maneira como eu vivo como cidadão da comunidade mais ampla”. (Paul tripp)

IV- “Nem como dominadores”

 Muitas vezes agimos como dominadores sobre as ovelhas de Cristo sem nem percebermos isso.
  
  Autoridade com humildade prontamente será reconhecida pela igreja, autoridade não é algo que conquistamos, mas é algo que recebemos das pessoas. Naturalmente a igreja reconhece sua autoridade, quando a liderança não é dominadora.

 “Um dos erros frequentemente cometidos por nós cristãos é que aprendemos a repreender como Jesus, mas não a amar como Jesus”. (Joshua Harris).

  Liderar sem dominar é liderar com humildade, e humildade não é algo que faz parte de quem eu sou pela minha capacidade, mas é fruto de uma vida de devoção a Cristo. Muitos líderes tentam em sua força ser humilde.

  Dominar é fruto da vocação por obrigação, sem humildade, sem devoção.

 “Os cristãos são humildes porque seu conhecimento da verdade não é baseado em sua própria inteligência, estudos ou perspicácia. Pelo contrário, seu entendimento é cem por cento dependente da graça de Deus”. (Joshua Harris).

  Agimos como dominadores sobre as ovelhas de Cristo e sobre nossos liderados quando pensamos que por nosso oficio pastoral, ou cargo de liderança somos superiores a eles, afinal, somos nós quem lhes ensinamos as doutrinas bíblicas não é?

  Não somos nós quem ensina as verdades ao povo de Deus, é o próprio Deus por meio de sua palavra, nós apenas reproduzimos aquilo que a palavra diz. Você quer que sua igreja cresça? Pregue a palavra.

  Não ser dominador é ter claro em sua mente que TODOS nós somos dependentes da graça de Cristo, pensar diferente te levará a ser um dominador, pois, você se achará mais espiritual que o outro.

 “Passamos do limite quando estamos mais focados em dominar tudo que diz respeito à teologia do que em ser dominados por Cristo” (Joshua Harris)

  O pastor se torna um dominador quando ele tenta liderar um grupo de pessoas que não acredita em seus projetos ministeriais, e então, para tentar fazer dar certo ele começa a dominar, mas ele não percebe que isso só piora sua liderança e o crescimento da sua igreja, afinal, quando ele domina é porque ele fez da liderança sua identidade, algo como seu e não do Senhor.
  
  O pastor que domina sua igreja é ególatra, tem sentimento de grandeza própria, tem orgulho de si mesmo, acredita que tudo que dá certo apenas dá por causa da sua pessoa e do seu esforço.

  “Eu plantei, Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento” (1 Coríntios 3:6)

  O dominador não reconhece a necessidade da graça, Paulo reconheceu que foi Cristo quem fez a igreja de corinto crescer, e Paulo por ser um servo da igreja e não dominador não teve problema algum em reconhecer o bem dos ensinos de Apolo à igreja que ele fundou.

  O pastor dominador nas palavras de Samuel costa: “Amam os primeiros lugares e odeiam quando outros ameaçam tirar-lhe o lugar que julgam ser-lhes cativo e eterno”.
           
  O pastor e líder dominador é o oposto do humilde e servo, o dominador tem a síndrome de celebridade, e busca a glória própria.

“Ela fará de você alguém com quem é difícil trabalhar e será quase impossível para as pessoas mais próximas a você ajuda-lo a ver que você se tornou difícil. Ela o levará a se cercar de pessoas que, frequentemente, dizem sim e, frequentemente estão prontas a concordar. Ela o deixará espiritualmente insensato e moralmente desprotegido. E tudo isso acontecerá sem que você note porque você permanecera convencido de que está perfeitamente bem. Quando confrontado, você se lembrará da sua glória. Quando questionado, defenderá sua glória. Você negará sua cumplicidade em problemas e sua participação em fracassos. Você terá muito mais habilidade em atribuir culpa do que em participar da culpa. Você será melhor em controlar do que em servir. Você constantemente confundirá ser um embaixador com ser um rei”. (Paul Tripp)

Conclusão: “mas servindo de exemplo ao rebanho”

 O sentimento que houve em Jesus foi que seu reino seria estabelecido pela humildade e serviço, não tem como ser pastor, líder e lutar pelo evangelho sem humildade e sem servir ao próximo.

 Jesus se esvaziou porque ele é Deus (Kenosis). Eu e você não nos esvaziamos, não há do que se esvaziar, somos pecadores, falhos, não temos poder e nem glória. Somos vasos de Barro, Cristo não, ele é glorioso, poderoso, santo.

“A forma de homem está em todos os homens por natureza, mas a forma de servo o homem só alcança através da obediência”. Jonas Madureira.

Desejas ser um bom líder? Apenas sirva!

 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Teoria da aprendizagem significativa e a cosmovisão cristã de educação.



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       A aprendizagem significativa estudada no âmbito da docência e educação de forma superficial trata da forma em que o aluno deve se sentir responsável e parte do seu processo de construção do saber. 


      Tal teoria tem como pilar o “homem essencialmente livre e autônomo”, a criatividade e sua responsabilidade por sua própria existência. A teoria gira em torno basicamente do antropocentrismo, e isso é tão claro, que a teoria afirma que o aluno precisa conhecer a si mesmo, para descobrir o sentido da sua existência. Sabemos que no decorrer da história o humanismo e o iluminismo foram muito bons nisso, o homem procurando em si respostas e construções que vão e estão além da sua capacidade cognitiva.


        Soa um quanto que redentivo a defesa do procurar em si o sentido da vida para que assim você possa construir todo um saber libertador.


“O que se busca, portanto, nesse início de milênio, é que as pessoas encontrem – ou reencontrem – seu próprio sentido de vida, e que o processo educacional seja um poderoso componente nesse desvelamento de sentido”.


Abraham Maslow um psicólogo norte americano afirma: “Ao homem nada deve ser acrescentado, ele já nasce com tudo o que necessita para desenvolver-se e para realizar-se potencialmente”. Uma tese de aprendizado totalmente centrada no homem, fruto dos valores e cosmovisão alienadas da existência de um Deus soberano e criador de tudo e todos.


Um dos pontos altos dessa teoria aplicada como base curricular em especializações reside na liberdade em busca do conhecimento redentivo, ou seja, quanto mais eu sei, mais livre eu sou.


“Liberdade e conhecimento são, portanto, parceiros inseparáveis na jornada do homem em direção à construção de sua existência e de seu destino: quanto mais se conhece, sob esse ponto de vista, mais se é livre”.


A educação tem sido ensinada como uma ferramenta redentiva do caos existencial instalado dentro do homem em virtude da sua rebelião para com Deus, João Calvino fala que para conhecer a si mesmo é necessário antes conhecer ao Deus que o criou. Sabe por que todas essas teorias pedagógicas – redentivas são falhas? Não compreendem e logo não tratam o problema raiz da humanidade, o pecado e consequente rebelião contra Deus.


“(...) a busca do ser humano em seus estágios e momentos de vida, em diferentes graus de intensidade e de complexidade: ser autônomo. A palavra autonomia significa, etimologicamente, auto – si mesmo, e nomos – normas, regras, algo como ser capaz de gerar e de gerir suas próprias normas e regras de vida”.

Os cristãos precisam se levantar urgentemente para aplicar sua vocação em meio a este ambiente educacional, afinal, essa é nossa missão, iluminar e salgar o mundo nas mais diversas esferas sociais.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O perigo do acostumar-se com o sagrado



O sagrado se tornando comum na vida daqueles que tem contato com a esfera espiritual/ religiosa é mais real do que imaginamos. O texto bíblico relata pessoas que se acostumaram com o sagrado e as consequências disso. Como saber se você está nesse quadro do acostumar-se com o sagrado?

RELATIVIZAÇÃO DAS DISCIPLINAS ESPIRITUAIS

As disciplinas espirituais residem na vida de oração, do estudo da palavra de Deus e a prática do jejum. Quando você começa a relativizar a importância da oração, bíblia e jejum em sua vida provavelmente você está acostumado com o sagrado. Se você é ativo em sua igreja local, tem o costume de ir aos cultos aos domingos, está presente em um evento e outro da sua igreja, mas relativiza a importância das disciplinas espirituais saiba que você é como um religioso que se acostumou com o sagrado.
            
            Um dos acontecimentos que sempre me chama a atenção ao ler os encontros de Deus com os seus no antigo testamento é o sentimento de temor e reverência:
          
  “Todo o povo presenciava os trovões, os relâmpagos, o som da trombeta e o monte que fumegava. Vendo isso, o povo ficava de longe, tremendo de medo. E disseram a Moisés: Fala tu mesmo conosco, e ouviremos; mas não fale Deus conosco, senão morreremos. Moisés respondeu ao povo: Não temais, porque Deus veio para vos colocar à prova, para que o seu temor esteja em vós, a fim de que não pequeis”. (Êxodo 20:18-20)
           
        Atualmente as pessoas tem perdido a percepção de que o Deus do antigo testamento é o mesmo do novo testamento e o mesmo hoje, talvez você pense que ele não fala e visita mais seu povo, contudo, isso é um grande engano, a prática das disciplinas espirituais é o momento em que você encontra Cristo de forma profunda.
       
         O próprio Jesus quando cumpria sua missão terrena orava, mesmo com um ministério curto e intenso, Cristo tinha tempo para a prática da oração: “De madrugada, ainda bem escuro, Jesus levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto; e ali começou a orar”. (Marcos 1:35)
        
        Como tem sido a prática da oração em sua vida? Quais motivos você tem como desculpa para não ter a oração como uma disciplina espiritual? Tenha em mente o ensino de Jesus no sermão da montanha: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu pai que está em secreto...”. (Mateus 6:6a)

BANALIZAÇÃO DO CULTO

Quando as disciplinas espirituais não fazem parte de quem você é, o próximo passo reside na banalização do culto. Banalizar o culto é distorcer a sua essência, quando o cristão está acostumado com o sagrado ele passa a cultuar a qualquer outra coisa.

Isso prova o porquê das igrejas estarem cheias, mas o culto vazio, templos lotados e corações carentes do Espírito de Deus. As pessoas se acostumaram com o sagrado, perderam o temor a Deus e distorceram a essência do culto, aquilo que deveria ser um momento coletivo e público de adoração ao Deus  todo poderoso foi banalizado. 

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Quando se teme a Deus, o culto não se torna banalizado, pois existe a compreensão que ali Deus se faz presente, assim como esteve no monte que gerou grande temor e até medo por parte dos israelitas.


“E eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada um havia TEMOR (grifo meu) e muitos sinais e feitos extraordinários eram realizados pelos apóstolos”. (Atos 2:42-43).

O culto se torna banalizado quando ao acostumar-se com o sagrado a vida de oração, leitura da palavra e o jejum se tornam irrelevante, quando ir ao culto não é mais prazeroso e sim mero costume, um ritual sem propósito, e quando não existe perseverança nos ensinos apostólicos nem alegria da vida comunitária.

Quem é acostumado com o sagrado perdeu o gozo do ensino, da adoração, do serviço, do “alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram”.

SOBERBA INTELECTUAL

            Aquele que se acostumou com o sagrado em regra demonstra soberba espiritual, é o tipo de pessoa que não tem o que aprender e já sabe o suficiente aos seus olhos para se considerar um “forte na fé”. Quando se perde a compreensão de que quanto mais se estuda da palavra de Deus, mais Cristo se revela, é sinal de costume com o sagrado.

O soberbo espiritual se parece muito com os fariseus, mestres na lei, ignorantes no espírito, mestres intelectuais e ignorantes no evangelho da graça. Pedro, o apóstolo, em certo momento de sua vida demonstrou essa soberba espiritual típica daquele que se acostumou com o sagrado, perdendo o temor e a reverencia. Quando Cristo afirma aos discípulos que todos o abandonariam repare na ação soberba do apóstolo:
             
“Mas Pedro respondeu-lhe: Ainda que todos desertem, eu nunca desertarei”. (Mateus 26:33)

            O resto da história você conhece. Sim, acostumar-se com o sagrado pode te levar a um estado de soberba espiritual crendo já saber o suficiente, todavia, o reino de Deus são daqueles que entendem sua pobreza espiritual. Quando você relativiza as disciplinas espirituais, quando você banaliza o culto a Deus, ou quando você se torna um soberbo espiritual, a essência da vida comunitária não terá valor.

PERDA DA ESSÊNCIA COMUNITÁRIA

            A história de Deus o mostra escolhendo um povo para si. Isso revela que a vida cristã e a fé em Jesus é compartilhada, não é possível servir a Jesus e se esquecer do próximo. E o que é a igreja? Pessoas reunidas como irmãos para servir, adorar e de forma obediente participar da missão de Deus no mundo, que é fazer seu nome conhecido, temido e adorado.
           
          Acostumar-se com o sagrado por vezes te leva à perda da importância da vida comum. Ser igreja é compartilhar a vida, as alegrias, as dores, as conquistas, as perdas, isso é a vida em comunidade. Uma parábola que trata muito bem essa questão é a do bom samaritano que entendeu a dinâmica da vida comunitária e do cuidado para com o próximo. Jesus resume toda a lei no “amar ao próximo...”, poderia citar diversos versículos que trata sobre essa importante questão da vida comunitária e relacional do corpo de Jesus Cristo.
     
         Acostumar-se com o sagrado pode ser uma das piores coisas na vida do cristão, porque por estar envolvido de alguma forma naquilo que é espiritual ou religioso o leva a pensar estar vivendo de forma bíblica e cristocentrica, sendo que na verdade ele pode estar muito longe de Cristo; termino com um verso bíblico muito claro quanto a isso:
  
          “Nem todo o que me diz Senhor, Senhor! Entrará no reino do céu, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está no céu. Naquele dia, muitos me dirão: Senhor, Senhor, nós não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios? Em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhe direi claramente: Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais o mal”. (Mateus 7:21-23)  

              Nunca se acostume com o sagrado!